sexta-feira, 3 de julho de 2015

Você não é obrigado a ler.

Mas eu preciso escrever.

 

Começar sempre foi coisa muito difícil pra mim. O motivo? Simples, eu penso demais.

Não posso dizer os clichês “quando criança eu..” porque a verdade é que me lembro de pouca coisa dessa época (a memória nunca foi boa mesmo), mas às vezes crio uma imagem da infância em que eu poderia estar assim, pensando demais. Quando começo um desenho, sempre penso muito antes:  “vou começar pelo céu. Não, não, pelo mato é melhor...mas e se eu fizer o mato e ficar muito alto e não couber o céu? Então acho melhor começar pela casa, que fica no meio, porque eu divido o espaço do mato e do céu, mas e se..” .

Continuo sendo assim. Quando saio de casa, não consigo apenas pegar o ônibus, saio todos os dias “pensando demais”, em todas as possibilidades entre ir de ônibus ou ir de trem, e sempre que escolho uma e dá errado, tenho a certeza impossível de que, do outro modo, estaria melhor. Quando escolho uma roupa, quando vou começar uma nova série, quando tenho que escolher um filme, e até o “cardápio do dia” é um problema.

Eu penso demais, e como poderia ser diferente quando eu decido escrever? Justo escrever. 

Houve um tempo (digo isto porque, sim, amigos, estou em falta) trocava cartas com amigos que moram em outros estados e, não houve uma só carta que não foi reescrita, pelo menos, 3 vezes do seu início. Porque eu penso demais sobre como começar, devo dizer um “oi!”, um “bom dia!”, “mas e se quando chegar for tarde, noite?”. E quando a escolha é feita, eu penso na letra, e aí se vão mais 10 árvores da Amazônia jogadas no lixo (e eu não me orgulho disso.)

Tudo isto pra dizer que, espero que você não se espante quando eu disser que criar um blog, assim, pra escrever, está nos meus planos há pelo menos uns 10 anos. Mas, pois é, eu penso demais. Sempre havia o medo de não dar conta, o medo do que iriam pensar, o medo de “cair em mãos erradas, ser interpretada do jeito errado”, e a incansável cobrança excessiva que exerço sobre mim, de que tudo esteja perfeito, cada vírgula em seu lugar (e não, não estará).

O que mudou, então, que me fez chegar até aqui, agora?

Não sei, mas acho que em algum momento dessa vida, talvez todas as mudanças que aconteceram ao longo desses anos, me fizeram perceber que às vezes é melhor não pensar. Às vezes, é preciso não pensar muito, apenas fazer. E esta sou eu, não pensando. Não vou fechar o blog para que ninguém leia, mas não pretendo abri-lo para que o mundo veja. Porque, eu sequer precisei pensar, como resposta esse título surgiu, você não é obrigado a ler, mas eu preciso escrever. Preciso colocar no papel, ou na ponta dos dedos, o que aperta a cabeça, o que eu vejo, o que eu sinto, o que eu sou, e escrever pra mim é esse refúgio.

Você não precisa ler este texto, nem os próximos, e talvez você seja apenas um interlocutor imaginário, a quem eu me dirijo para que não pareça tão loucura escrever sozinha, mas eu preciso escrever. E assim farei, sem pensar muito sobre com qual palavra devo começar, ou sobre que tema devo abordar, porque a palavra aparece, ela vem, e quando ela vier, eu estarei aqui pra falar sobre ela.

Como agora estou pensando demais sobre qual seria a melhor maneira de terminar este texto, acho que é a hora de simplesmente acabar.

 

E acabou, aquilo que acaba de começar.

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